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Indústria Pressiona por Cortes Mais Agressivos na Selic: Decisão do Copom é ‘Correta, mas Insuficiente’

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual gerou uma resposta mista e, em grande parte, insatisfeita por parte do setor produtivo nacional. Embora a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reconheçam a correção da direção, ambas as entidades classificaram o ajuste como aquém do necessário para impulsionar a economia e reverter os prejuízos acumulados ao longo de um período de política monetária restritiva.

A Timidez do Ajuste e Suas Implicações Econômicas

Para a CNI, o corte modesto na Selic é insuficiente para frear a desaceleração da atividade econômica, destravar o potencial de investimento e aliviar o endividamento de empresas e famílias, sintomas persistentes de uma política monetária que ainda consideram excessivamente restritiva. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que a notável desaceleração da inflação e as expectativas de mercado por preços estáveis, que permanecem dentro do intervalo de tolerância da meta, já justificariam uma flexibilização de juros mais acentuada. A cautela exacerbada do Banco Central, na visão da entidade, continua a penalizar a recuperação econômica do país.

Obstáculos ao Crescimento e à Competitividade Industrial

As elevadas taxas de juros, mesmo após o recente ajuste, são apontadas por líderes do setor produtivo e figuras políticas como barreiras significativas. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, ecoou o sentimento da indústria ao afirmar que as condições de crédito permanecem dificultadas, sufocando investimentos e limitando o crescimento econômico do país. No contexto da indústria, a Fiemg reforçou que a diminuta redução não consegue melhorar a competitividade do setor, que esperava um movimento mais decisivo após quase dois anos sem qualquer alívio na política monetária.

O Apelo por Ação Decisiva do Banco Central

Diante deste cenário, a Confederação Nacional da Indústria projeta que o Banco Central precisa intensificar a magnitude dos cortes na próxima reunião do Copom, prevista para o final de abril. Ricardo Alban argumenta que tal medida é crucial para propiciar condições mais favoráveis de investimento às empresas, reduzir o fardo do endividamento das famílias e reposicionar a economia em uma trajetória sustentável de crescimento. A entidade reitera que uma flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável, mas sim uma condição essencial e imprescindível para reerguer a produtividade nacional e garantir o bem-estar social.

Indícios de Desaquecimento Reforçam a Demanda por Juros Menores

Complementando as análises, Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, destacou a existência de diversos indícios de arrefecimento da atividade econômica ao longo do último ano. Ele mencionou a redução das expectativas medianas de inflação e a desaceleração das medidas de núcleo inflacionário como evidências de que a manutenção de uma política monetária contracionista por um período prolongado não se justifica. O setor industrial mineiro, assim como o nacional, defende a urgência de uma mudança mais expressiva na postura do Copom para evitar maiores impactos negativos na economia.

A insatisfação do setor industrial brasileiro com a magnitude do corte da Selic ressalta um consenso: embora o movimento do Banco Central seja na direção correta, sua moderação é vista como um entrave à plena recuperação econômica. A expectativa generalizada é por uma postura mais arrojada nas próximas decisões do Copom, que possa verdadeiramente destravar o potencial de investimento, reduzir o endividamento e, finalmente, recolocar o Brasil em uma rota de crescimento robusto e sustentável, fundamental para a produtividade e o bem-estar social de toda a nação.

Fonte: https://www.infomoney.com.br