O mercado de locação comercial no Brasil iniciou o ano de 2026 com um ritmo de valorização acentuado, dando continuidade à tendência observada no período anterior. Dados divulgados pelo Índice FipeZAP revelam uma significativa aceleração nos preços dos aluguéis, que se aproximam de um aumento anual de dois dígitos. Paralelamente, o segmento de venda de imóveis comerciais registrou um incremento mais modesto, com variações regionais marcantes.
Aceleração Recorde nos Aluguéis Comerciais
Em janeiro de 2026, os preços de locação de salas e conjuntos comerciais apresentaram um aumento médio de 1,34% no Brasil. Este patamar não apenas superou o avanço de 0,72% registrado em dezembro, como também marcou a maior variação mensal para o setor desde abril de 2012, quando os valores subiram 2,07%. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta alcançou expressivos 9,98%, consolidando um cenário de forte valorização.
A dinâmica dos aluguéis contrasta notavelmente com os indicadores inflacionários oficiais. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,33% em janeiro e acumulou 4,4% em 12 meses, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), frequentemente utilizado em reajustes de aluguel, teve alta de 0,41% no mês, mas permaneceu em deflação (-0,91%) no período anual. Tal disparidade sublinha a robustez do mercado de locação comercial em relação à inflação geral.
Desempenho Regional Destacado na Locação
Maiores Variações Mensais em Janeiro
Entre as localidades monitoradas pelo FipeZAP, algumas cidades se destacaram no aumento dos aluguéis comerciais em janeiro. Brasília liderou com um salto de 5,24%, seguida pelo Rio de Janeiro (+3,07%), Salvador (+1,59%), Curitiba (+0,97%) e São Paulo (+0,85%), indicando uma concentração de valorização nas grandes capitais e centros econômicos.
Crescimento Acumulado em 12 Meses
Analisando o período de 12 meses encerrado em janeiro, a valorização dos aluguéis foi ainda mais expressiva em diversas cidades. Brasília registrou um avanço notável de 23,88%, seguida por Campinas (+15,97%), Rio de Janeiro (+13,78%), Niterói (+13,05%), Florianópolis (+11,49%) e Salvador (+10,62%). Em São Paulo, o crescimento acumulado foi de 9,34%, reforçando a tendência de valorização consistente em mercados-chave.
Mercado de Venda de Imóveis Comerciais: Crescimento Mais Tímido
No segmento de venda de salas e conjuntos comerciais de até 200 m², o Índice FipeZAP apurou um incremento médio de 0,11% em janeiro de 2026, superando o resultado de 0,06% de dezembro. Contudo, em uma perspectiva de 12 meses, a alta foi de 2,39%, um ritmo consideravelmente mais contido em comparação com o dinamismo observado no mercado de locação.
Panorama Regional nas Vendas de Imóveis Comerciais
Desempenho Mensal por Localidade
Em janeiro, a variação nos preços de venda foi diversa entre as 10 localidades monitoradas. Florianópolis (+0,80%) e Salvador (+0,62%) apresentaram os maiores avanços, seguidas por Belo Horizonte (+0,53%), Brasília (+0,34%) e São Paulo (+0,06%). Por outro lado, algumas cidades registraram leve deflação, como Rio de Janeiro (-0,01%), Porto Alegre (−0,02%), Niterói (-0,04%), Campinas (-0,09%) e Curitiba (−0,32%), indicando um cenário menos homogêneo.
Balanço Anual no Setor de Vendas
No acumulado de 12 meses até janeiro, os preços de venda em Curitiba se destacaram com um crescimento de 8,13%, seguido por Salvador (+7,04%), Brasília (+5,46%), Florianópolis (+4,01%), Belo Horizonte (+2,94%), São Paulo (+2,64%), Niterói (+2,50%) e Campinas (+1,93%). No entanto, duas capitais apresentaram retração no período: Porto Alegre, com queda de 0,80%, e Rio de Janeiro, que recuou 1,10%, mostrando a complexidade das dinâmicas regionais no segmento de vendas comerciais.
Em suma, o relatório FipeZAP de janeiro de 2026 pinta um quadro de forte recuperação e aquecimento no mercado de locação comercial, com valorizações notáveis e concentradas em grandes centros urbanos. Em contrapartida, o setor de venda de imóveis comerciais, embora em trajetória de crescimento, mostra-se mais temperado e sujeito a variações regionais mais acentuadas, com algumas cidades ainda enfrentando desvalorização.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

