Em uma medida estratégica anunciada nesta quinta-feira (12), o governo brasileiro decidiu zerar a incidência de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel. A ação representa uma iniciativa urgente para conter o aumento dos preços do combustível no país, que sofre os reflexos da recente escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Um Sacrifício Econômico para a Estabilidade Nacional
A decisão, apresentada no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pelos ministros Rui Costa, Wellington Lima e Silva, Fernando Haddad e Alexandre Silveira, visa proteger a população e a economia nacional dos impactos da volatilidade global. O presidente Lula enfatizou a magnitude do esforço governamental, descrevendo-o como um “sacrifício enorme” e uma “engenharia econômica” projetada para evitar que as consequências da instabilidade internacional afetem diretamente o cidadão brasileiro, em especial as famílias de menor renda. A desoneração busca impedir que a elevação do custo do diesel se traduza em aumentos para motoristas, caminhoneiros e, consequentemente, nos preços de alimentos básicos.
Tensão Geopolítica e a Pressão Inédita no Mercado de Diesel
O cenário que motivou a intervenção governamental é de forte estresse no mercado global de diesel, um derivado particularmente sensível às disrupções no Oriente Médio. Estimativas indicam que eventuais interrupções no Estreito de Ormuz poderiam retirar de 3 milhões a 4 milhões de barris por dia da oferta global, intensificando a pressão de alta. Os preços do diesel já vinham subindo mais rapidamente que os do petróleo bruto e da gasolina. Com o barril de Brent rondando os US$ 100, a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a atual conjuntura como a maior disrupção de oferta na história do mercado global de combustíveis.
Efeitos no Abastecimento Interno e Preocupações Inflacionárias
No mercado doméstico, a pressão já se manifestava tanto no abastecimento quanto nos preços. Um leilão extraordinário da Petrobras, de 20 milhões de litros de diesel no Rio Grande do Sul, evidenciou sinais de escassez em plena safra agrícola, com negociações superando em até R$ 1,78 por litro o preço usual praticado no estado. Ao aliviar o custo do diesel, o governo busca mitigar o risco de repasses mais agressivos para o valor dos fretes, dos alimentos e, em última instância, para a inflação geral, protegendo o poder de compra da população e a estabilidade econômica.
Monitoramento Constante Frente à Volatilidade Global
Paralelamente à desoneração, o governo tem mantido um monitoramento intensivo da situação. A equipe econômica estava elaborando uma nota técnica para quantificar os efeitos da disparada do barril de petróleo sobre a economia brasileira, enquanto o Ministério de Minas e Energia acompanhava de perto a cadeia global de derivados e a logística nacional de abastecimento. Embora a avaliação seja de que a exposição direta do Brasil ao conflito permaneça limitada, a alta volatilidade internacional exige vigilância e ações preventivas contínuas para salvaguardar a economia.
A zeragem do PIS/Cofins do diesel representa, portanto, um escudo fiscal imediato, demonstrando o empenho do governo em intervir proativamente para amortecer os choques externos. Esta medida visa garantir que a crise global não se traduza em ônus para o consumidor e em instabilidade para os setores produtivos do Brasil, reafirmando a prioridade em preservar a estabilidade econômica e o bem-estar social diante de um cenário internacional complexo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

