DUBAI/TEL AVIV – Em um cenário de escalada contínua das tensões no Oriente Médio, o comando militar do Irã emitiu um alerta severo, indicando que o mundo deve se preparar para um barril de petróleo atingir a marca de US$ 200. A declaração, proferida nesta quarta-feira, acompanhou novos ataques a navios mercantes no Golfo Pérsico, reafirmando a capacidade iraniana de retaliar e impactar diretamente o fornecimento global de energia, mesmo diante da intensificação das operações dos Estados Unidos e de Israel na região.
Apesar de uma breve recuperação nos mercados de ações e uma ligeira queda nos preços do petróleo no início da semana, com investidores apostando em uma resolução rápida, a realidade no terreno e nos mares sugere uma deterioração da segurança. A interrupção no Estreito de Ormuz, rota crucial para 20% do petróleo mundial, já é considerada a mais grave desde os choques da década de 1970, com o Irã demonstrando pouca intenção de ceder à pressão.
Advertências Iranias e Escalada das Hostilidades
Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano, dirigiu-se diretamente aos Estados Unidos, afirmando que a previsão de petróleo a US$ 200 por barril é uma consequência direta da desestabilização regional promovida por Washington. Além das ameaças energéticas, o Irã prometeu retaliação contra instituições financeiras que mantêm negócios com os EUA ou Israel, após escritórios bancários em Teerã terem sido atingidos durante a noite, aconselhando a população a manter distância desses estabelecimentos.
Em uma demonstração de força, as forças iranianas relataram ter lançado mísseis contra uma base americana no norte do Iraque, o quartel-general naval dos EUA no Bahrein e alvos no centro de Israel. Essas ações resultaram em explosões no Bahrein e drones caindo perto do aeroporto de Dubai, ferindo quatro pessoas. Tais ataques sublinham a capacidade iraniana de atingir múltiplos pontos estratégicos na região.
Crise na Navegação e o Impacto no Mercado de Petróleo
A segurança da navegação no Golfo Pérsico atingiu um novo ponto crítico. Agências de monitoramento marítimo confirmaram o ataque a mais três navios mercantes por projéteis não identificados, elevando para 14 o número total de embarcações atingidas desde o início do conflito. Entre os alvos recentes, um cargueiro de bandeira tailandesa teve que ser evacuado após uma explosão e incêndio, enquanto um navio de contêineres japonês e um graneleiro das Ilhas Marshall também sofreram danos.
Diante da ameaça iminente à oferta global de petróleo e da volatilidade dos preços, a Agência Internacional de Energia (AIE) está considerando uma liberação recorde de suas reservas estratégicas, buscando conter o impacto da crise. Este movimento potencial reflete a gravidade da situação e a preocupação com a segurança energética mundial.
Resistência Interna e a Persistência do Conflito
Internamente, o Irã exibe sinais de desafio. Milhares de iranianos foram às ruas para os funerais de comandantes mortos em ataques aéreos, portando caixões e retratos do líder supremo falecido, Aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho, Mojtaba Khamenei. Uma autoridade iraniana revelou que Mojtaba, apontado como sucessor, sofreu ferimentos leves no início do conflito, que também vitimou seu pai, mãe, esposa e um filho, explicando sua ausência de aparições públicas.
A vida em Teerã, apesar dos ataques aéreos noturnos que forçaram centenas de milhares a buscar refúgio no campo e cobriram a cidade com a "chuva negra" da fumaça de petróleo, mostra sinais de uma adaptação sombria. Moradores, como Farshid, de 52 anos, relatam um acostumamento à rotina de bombardeios, indicando que a vida persiste em meio à adversidade. Paralelamente, autoridades israelenses admitem, em conversas privadas, que o regime iraniano provavelmente sobreviverá à guerra, e não há indícios de que Washington esteja prestes a encerrar sua campanha militar.
Impactos Regionais e Medidas Preventivas
A crise também afetou as operações aéreas na região. O Departamento de Aviação Civil do Bahrein informou que várias aeronaves da Gulf Air, sem passageiros, e alguns aviões de carga foram transferidos para aeroportos alternativos para assegurar a continuidade e eficiência das operações durante este período turbulento, evidenciando a cautela adotada por outros países da região.
A situação no Oriente Médio permanece volátil e sem previsão de trégua. As ações e ameaças do Irã, somadas às respostas dos EUA e Israel, projetam uma sombra sobre a estabilidade global, com o mercado de energia no centro das preocupações. A promessa de ataques contínuos e a previsão de preços do petróleo em patamares históricos ressaltam a urgência de uma solução para evitar uma crise de proporções ainda maiores, que transcende as fronteiras regionais e afeta a economia mundial.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

